A Universidade de São Paulo tem sido responsável por 22-26% da produção científica do Brasil nos últimos 10 anos, segundo dados recuperados de registros internacionais como Web of Science. Da mesma forma, diferentes sistemas de ordenamento (“rankings”) internacionais colocam invariavelmente a USP como primeira do país e a primeira ou segunda da América Latina.

Para aumentar o impacto de sua produção científica, quer globalmente ou internamente no país, é preciso reverter a tendência à grande fragmentação de seus grupos de pesquisa, que vem se acentuando com o  crescimento do corpo de pesquisadores e ligações frágeis com os setores produtivo e público. A modificação deste quadro exige várias intervenções. Uma delas diz respeito à reorganização da produção científica da universidade, não mais subordinada exclusivamente à lógica das divisões em disciplinas da ciência, mas com ênfase em temas relevantes da atualidade, que permitam associar pesquisadores de competências complementares com propostas bem definidas e focadas, e levando em conta os múltiplos produtos originados da atividade científica – publicações em revistas científicas, livros, formação de recursos humanos, transferência de tecnologia para o setor produtivo e para o governo, patentes, entre outros.

A Reitoria da USP implantou o Programa de Incentivo à  Pesquisa para estimular  seus pesquisadores a se organizarem segundo a lógica de uma temática relevante para a sociedade, quer em termos de produtos práticos ou quanto à possibilidade de influenciar decisivamente nas questões de ciência fundamental.  A ênfase é na relevância e não na área do conhecimento a ser apoiada. Sua execução está a cargo das Pró-Reitorias de Pesquisa e de Pós-Graduação, da Comissão de Cooperação Internacional – CCInt e da Coordenadoria de Administração Geral – CODAGE.

Este é um programa de financiamento complementar de pesquisa; em sua maior parte, os recursos para pesquisa na USP provêm de fontes externas (como FAPESP, CNPq e FINEP), assim como do orçamento da própria universidade. Os recursos aportados por este programa destinam-se a fortalecer a organização de grupos de pesquisa que atuam sinergicamente e formam recursos humanos qualificados, um estímulo para reverter a força centrífuga criada paradoxalmente pelo desenvolvimento de grupos de pesquisa competitivos e altamente especializados. Serve também de estímulo a grupos que se encontram em processo de organização e que apresentam potencial inovador e perspectivas de sucesso.

O sucesso do programa é refletido pelas 122 propostas envolvendo dois mil pesquisadores da USP, submetidas à análise de uma comissão externa multidisciplinar que recomendou para financiamento pela Reitoria as 43 propostas aqui resumidas e reconheceu adicionalmente o mérito de grande número de outras propostas. Este programa, desde sua discussão interna até o edital e a análise por comissão externa, reforça a determinação da USP de avaliar, promover, interferir e influenciar na produção científica de seu corpo docente, sem tolher a liberdade de iniciativa, mas promovendo a qualidade.

Marco Antonio Zago

Pró-Reitor de Pesquisa